terça-feira, 12 de julho de 2011

A última ceia

Leonardo da Vinci

Lenda

A última ceia.
A mesma pessoa serviu de modelo para Leonardo da Vinci pintar Jesus Cristo e Judas

    Mais uma historinha edificante sobre a qual não há comprovação histórica e é mais uma das muitas lendas envolvendo o nome do genial Leonardo da Vinci. É uma lenda clássica contada há muitos e muitos anos em aulas de catecismo e tem a finalidade de induzir as pessoas a seguirem o caminho do Bem.

    Existem alguns pontos inexatos nessa história a começar pelo tempo que Leonardo Da vinci levou para completar A última ceia: sete anos.

O início da obra é tido como o ano de 1495. Alguns historiadores afirmam que a obra foi concluída em três anos, outros dizem que demorou quatro anos para ser concluída. Há quem afirme que ela sofreu vários retoques, dados pelo próprio Leonardo da Vinci, ao longo dos 20 anos seguintes. Não existem fontes confiáveis que registrem esse tempo: sete anos.

    Segundo a lenda, um jovem de 19 anos foi selecionado como o modelo que representaria Cristo.

    Sete anos depois, o mesmo homem, agora um homem escuro, selvagem, de cabelo longo emaranhado e a expressão da maldade alastrada em sua face [cujo] rosto mostrava um caráter, fraco, viciado em completa ruína seria o escolhido como modelo de Judas.

    Para os cristãos, Judas representa o Mal, o que de pior existe na raça humana. A escória da escória, o traidor. Mas o que significa a expressão homem escuro? Homem 'de cor'? Não se trata de uma colocação preconceituosa associar o nome do delator e o seu caráter a uma cor de pele?

    Não há dúvida de que o grande artista usou modelos para a sua obra, mas isso não significa que cada um dos modelos tenha posado durante longos meses. Tampouco significa que as figuras tenham sido desenhadas e pintadas, diretamente na parede, a partir do modelo vivo. O habitual, nesses casos, é o pintor fazer esboços em papel e depois transferir o esboço para o lugar definitivo.

    O afresco A última ceia foi pintado numa parede do refeitório do convento de Santa Maria das Graças, em Milão, e fica acima de uma porta fechada com alvenaria após a conclusão da obra. Isso significa que ele fica a uma certa altura do chão. Certamente foram usados andaimes: o modelo ficou encarapitado nos andaimes durante todo o tempo?

    Segundo uma das versões da historinha, disseram a Da Vinci que um homem cuja a aparência se encaixava inteiramente nas exigências tinha sido encontrado.

    Será que o grande artista 'terceirizou' a busca do modelo de Judas? Será que ele distribuiu, com os seus discípulos (desculpem, mas da Vinci também tinha discípulos), uma descrição pormenorizada da aparência do modelo do traidor?

    Isso é altamente improvável.

    É curioso o surgimento de um rei que teria dado permissão especial para o modelo-prisioneiro posar para Leonardo da Vinci. Rei de que país? De Milão? Da Itália? Ou Rei de Roma?

    Tudo não passa de mais uma lenda que circula em muitas versões e em vários idiomas.

    Mais uma lenda? Siegfried Woldhek: The true face of Leonardo Da Vinci?

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